terça-feira, 3 de setembro de 2013

Alteração da Constituição de Portugal



Peço a cada destinatário deste e-mail que o envie a um mínimo de vinte pessoas em sua lista de contactos, e por sua vez, peça a cada um deles que faça o mesmo. 

Em três dias, a maioria dos portugueses lerá esta mensagem. Esta é uma ideia que realmente deve ser considerada e revista por todos os cidadãos. Alteração da Constituição de Portugal para 2013 para poder atender o seguinte, que é da mais elementar justiça: 

1. O deputado será pago apenas durante o seu mandato e não terá reforma proveniente exclusivamente do seu mandato. 

2. O deputado vai contribuir para a Segurança Social de maneira igual aos restantes cidadãos. Todos os deputados ( Passado, Presente e Futuro) passarão para o actual sistema de Segurança Social imediatamente. O deputado irá participar nos benefícios do regime da S. Social exactamente como todos os outros cidadãos. O fundo de pensões não pode ser usado para qualquer outra finalidade. Não haverá privilégios exclusivos. 

3. O deputado deve pagar seu plano de reforma, como todos os portugueses e da mesma maneira. 

4. O deputado deixará de votar o seu próprio aumento salarial. 

5. O deputado vai deixar o seu seguro de saúde actual e vai participar no mesmo sistema de saúde como todos os outros cidadãos portugueses. 

6. O deputado também deve estar sujeito às mesmas leis que o resto dos portugueses 

7. Servir no Parlamento é uma honra, não uma carreira. Os deputados devem cumprir os seus mandatos (não mais de 2 mandatos), e então irem para casa e procurar outro emprego. 

O tempo para esta alteração à Constituição é AGORA. Forcemos os nossos políticos a fazerem uma revisão constitucional.

E-mail recebido

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Salgueiro Maia - 25 Abril 1974

Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguíram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Carta Aberta


Srs. Governantes de Portugal,


Sou uma técnica administrativa, de uma empresa pública de transportes da área metropolitana de Lisboa (que está prestes a ser destruída), sou possivelmente uma candidata séria ao desemprego, pois aquilo que
está previsto para esta área é bastante preocupante. Aufiro um vencimento que ronda os 1100€ (líquido), tenho 36 anos e "visto a camisola" da minha empresa desde os 19 anos.

Tenho o 12º ano de escolaridade, porque na época em que estudava os meus pais, que queriam o melhor para mim, não tinham possibilidade de me pagar uma universidade, por isso tive de ingressar cedo no mercado de trabalho, investi na minha formação e tirei alguns cursos para evoluir, continuo a ambicionar tirar um curso superior. Pensava efectuar provas no próximo ano, para tentar ingressar numa universidade pública, faria um sacrifício para pagar as propinas (talvez com o dinheiro que recebesse do IRS, conseguisse pagá-las), mas realizaria um sonho antigo.

Comprei casa há uns anos (cerca de 7 anos), consciente de que conseguia pagar a dívida que estava a contrair, nessa altura era possível e de acordo com a lógica de evolução das coisas, a minha vida
melhoraria gradualmente, este era o meu pensamento e julgo que partilhado pela maioria dos portugueses. Não vivo, nem nunca vivi acima das minhas possibilidades. Tenho um carro de 1996, porque sou contra o endividamento e achei sempre que não podia dar-me ao luxo de ter um carro melhor, confesso que já me custa conduzir aquela lata velha, mas peço todos os dias para que não me deixe ficar mal, esse carro foi comprado a pronto, custou-me cerca de 1.000€, que paguei com um subsídio de férias ou de natal, direito alienável de qualquer trabalhador. Esses subsídios permitem-me pagar o condomínio, os seguros de carro e casa, o IMI ou outras despesas extra com as quais não estou a contar (como por exemplo a oficina, quando a lata velha resolve avariar).

Até hoje paguei sempre as minhas contas a tempo e horas. Tenho um cartão de crédito que a banca me ofereceu, mas que nunca utilizo, porque sou consciente dos juros exorbitantes que são cobrados e tenho exemplos de que não se deve gastar o que não se tem. Não pago qualquer prestação para além da casa, se não tiver dinheiro, não efectuo a compra. Isto tudo para dizer, que não devo, nem nunca devi nada a ninguém. Pago todos os meus impostos, portagens, saúde, alimentação, água, luz, gás, gasolina, etc. Não tenho filhos, e hoje dou graças a Deus, porque não sei em que condições viveriam se os tivesse. 

Esta pequena introdução sobre a história da minha vida, que acho que não interessa a ninguém, mas apenas a mim, serve para que percebam a minha realidade, que certamente é a realidade de milhares de portugueses, haverá uns em situação muito pior e alguns em situação bem melhor. Mas posso servir bem, como um pequeno exemplo ilustrativo, para aqueles que governam um país, que por acaso tem pessoas, algo que
me parece muitas vezes ser esquecido.

É esta a minha forma de demonstrar a minha indignação perante alguns comentários efectuados por alguns de vós e tendo em conta a actual situação do nosso país. Aproveitando também para lhes pedir alguns esclarecimentos.

Eu já ouvi o primeiro-ministro português, dizer que não sente que tem de pedir desculpas aos portugueses, pelo défice e pela dívida, mas pergunto Sr. Primeiro-ministro, sou eu que tenho de pedir desculpas, por um orçamento de estado herdado do governo anterior, que sem a sua ajuda não teria sido aprovado, ou já se esqueceu desse pormenor? Desde essa altura, portanto, desde o início deste ano, que vejo o meu vencimento reduzido em 5% e que contribuo mais que os outros portugueses, para o equilíbrio das contas públicas e para o défice.
Sim, porque ao que me parece, eu e todos os funcionários públicos, que têm o azar de trabalhar para o estado, ou na máquina do mesmo, são mais portugueses do que os outros. Não sei se eles se contentariam em receber uma medalha, pela parte que me toca, dispenso essa honra, pois isso contribuiria para o agravamento da despesa, por isso não se incomodem, prefiro que poupem esse dinheiro e me continuem a pagar os subsídios a que tenho direito.

Direito, Estado de Direito... Neste momento e em Portugal, não consigo descortinar o que isso é, até porque a legislação e constituição têm sido ajustadas à medida, de acordo com os interesses em vigor, pois se assim não fosse, teria sido inconstitucional a redução do meu salário, bem como seria impossível, cortarem-me o subsídio de natal e de férias nos próximos dois anos, peço que me esclareçam também nestes pontos, pois existem muitas coisas que não estou a perceber, acredite, que não sou assim tão ignorante.

Outra coisa que me faz alguma confusão, é ouvi-lo dizer que o orçamento é seu, mas o défice não... Pergunto Sr. Primeiro-ministro, o défice é meu? O défice é dos trabalhadores portugueses, mas não é seu? O Sr. porventura não é português? Não contribuiu em nada para a situação em que nos encontramos? Há qualquer coisa aqui que não bate certo.

Agora aquilo que mais me transtorna é pedirem ainda mais sacrifícios ao povo português e terem a ousadia de dizer que (sobretudo) o povo vive acima das suas possibilidades. Como já tive oportunidade de demonstrar a minha realidade, acho que não preciso voltar a explicar a minha forma de viver e a "ginástica" que tenho de fazer com meu vencimento para conseguir pagar as minhas contas e ainda assim sobreviver. Nem consigo imaginar, como farão famílias inteiras, que apenas recebem o ordenado mínimo nacional, é para mim um exercício difícil, apenas me posso compadecer, pela situação miserável em que devem estar a viver e dar-lhes também voz, nesta minha missiva. 

Por isso, posso garantir que pela parte que me toca, não vivo acima das minhas possibilidades, mas  certamente, que o Estado português e as empresas públicas, estão a viver acima das possibilidades de todos os trabalhadores portugueses. Apesar de relativamente a este assunto ainda não o ter ouvido dizer que iam haver cortes, ou os poucos que referiu, ainda não me conseguiram convencer... Dou-lhe alguns exemplos
práticos, para que perceba e qualquer leigo no assunto também... 

Vou referir-me a todos os que ocupam cargos relevantes na nossa sociedade, são eles os administradores de empresas, os directores, os autarcas, os deputados, ministros, assessores, vogais, etc. Todos eles e vocês auferem vencimentos superiores ao meu e da maioria dos trabalhadores, vamos supor que ganham entre os 2.000€ e os 10.000€ mensais, sabemos bem que estas contas não são as reais e que os valores são bem superiores, nalguns casos, mas para demonstrar o que pretendo, podemos usar estes valores como base.

Tudo o que vou descrever abaixo, é a realidade do meu país e da vossa má gestão enquanto governo. Não vos dei o meu voto, nem a todos os que passaram por aí desde o 25 de Abril de 1975. Apesar de concordar com os princípios básicos da democracia, há muito que deixei de acreditar que vivia numa. Isto não é  democracia, em democracia, também se ouve o povo, em democracia os órgãos de comunicação social não manipulam a opinião pública, nem são marionetas do Governo. Acredito mesmo assim, que a maioria daqueles que votaram e vos deram a vitória nestas eleições, acreditavam de facto numa mudança, mas mais uma vez, mudaram apenas as moscas e rodaram as cadeiras.

Por tudo isto, agradeço que descontem tudo o que descrevo em baixo dos meus impostos, porque isto, meus senhores, nem eu, nem os trabalhadores portugueses, temos possibilidades de pagar! 

Esclareçam-me quanto aos seguintes pontos e quanto tudo isto me custa
(a mim e a todos os contribuintes portugueses):

- Se me desloco em viatura própria para o meu trabalho e a maioria das pessoas usam o transporte público, digam-me porque é que tenho de comprar carros topo de gama para toda esta gente, que ganha no mínimo
o dobro que eu e que ainda tem viatura própria superior à minha?
Porque tenho de lhes comprar os BMW's e os Audis, pagar-lhes a gasolina, as portagens, as inspecções, as revisões, os seguros, os motoristas e quanto isso me custa? Acham que o povo português pode e quer, continuar a pagar isto?

- Se tenho um cartão de crédito que não utilizo, porque tenho de vos pagar os cartões de crédito com plafond" mensal para despesas diversas? Quem vos disse que queríamos que gastassem assim o nosso
dinheiro? Quem vos autorizou?

- Se almoço no refeitório da Empresa e suporto, com o meu vencimento, todas as minhas refeições, por que tenho de pagar as vossas em restaurantes de luxo? - Acham que temos possibilidade de continuar a viver assim? Como têm o descaramento de nos continuar a pedir sacrifícios?

- Se não saio do país, porque não tenho hipótese (como adorava poder efectuar uma viagem por ano), por que tenho de vos pagar, as viagens, as despesas de alojamento e as ajudas de custo? Por que viajam em
classe executiva, porque ficam alojados em hotéis de 5 estrelas, se estamos a viver num país falido e endividado?

- Por que tenho de pagar os vossos telemóveis e as vossas contas?

- Por que tenho de vos pagar computadores portáteis, se para pagar o meu tive de fazer sacrifícios e ainda o utilizo ao serviço da empresa, quando necessário.

- Porque tenho de pagar 1.700€ de subsídio de alojamento, aos membros do governo que não residem em Lisboa? Se só posso pagar de renda um máximo de 500€, isto, enquanto não ficar desempregada, porque nessa altura, terei provavelmente de vender a casa ou entregá-la ao banco e procurar emprego noutro sítio qualquer e quero ver quem me vai pagar o subsídio de alojamento ou de arrendamento. Aliás onde estão esses subsídios para os milhares de desempregados deste país?

- Não quero pagar pensões vitalícias a ex-membros do governo que continuam no activo e a acumular cargos e pensões.

- Não quero pagar ajudas de custo, ninguém me paga ajudas de custo para coisa nenhuma, não tenho de o fazer a quem aufere o triplo e o quádruplo do meu vencimento.

- Não quero pagar estudos, nem pareceres, nem quero, que estejam contemplados no Orçamento de Estado, se não têm capacidade para governar, não se candidatem aos cargos, um governo ao ser constituído,
escolhe as pessoas de acordo com a sua experiência e competência nas diversas áreas (ou assim deveria ser).

- Não quero pagar mais BPN's, nem recapitalizações da banca, nem TGV's, nem PPP's que penalizam  sempre o estado e beneficiam o privado.

- Não quero mais privatizações em áreas essenciais, como a dos transportes, dos correios, das águas de Portugal, etc. Se são necessárias reformas, façam-nas, sentando-se à mesa com os trabalhadores e negociando, não aniquilando as Empresas. 

- Quero uma verdadeira política de regulação e supervisão do direito à concorrência, coisa que não existe neste país.

- Quero ver nas barras dos tribunais e a indeminizarem o Estado e o Povo Português, todos os que efectuaram crimes de colarinho branco, de corrupção, de má gestão, que defraudaram o estado em milhões de euros.
Se eu cometer um crime sou responsabilizada por ele. Eles também têm de ser.

Estes são apenas alguns exemplos das despesas, que nem eu, nem a maioria dos trabalhadores portugueses, querem pagar. Por isso meus senhores, façam as contas, digam-nos quanto poupam com todas estas coisas e depois sim, podem pedir sacrifícios aos portugueses, mas a todos, não só a alguns, nem sempre aos mesmos.

Até lá, restituam-me o que me estão a roubar no vencimento desde o inicio deste ano. Peço que tirem de uma vez por todas essa ideia da cabeça, de me tirarem os subsídios de natal e de férias dos próximos anos, aliás, isso é inconstitucional e ilegal ("Os subsídios de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis". - F. Sá Carneiro, Decreto-Lei n.º 496/80 de 20 de Outubro, promulgado em 10.10.1980, pelo Presidente da República A. Ramalho Eanes), acho que estão a ter algum problema com os vossos responsáveis da área jurídica e não vos estão a prestar os devidos esclarecimentos, por isso, deixo aqui o meu pequeno contributo.

E para não dizerem que nós não queremos fazer sacrifícios, deixo também uma pequena lista das áreas para onde quero contribuir, com os meus impostos e onde quero ver o meu dinheiro aplicado: 
Quero continuar a descontar para a Segurança Social e a mantê-la sustentável, para pagamento de:

- Reformas daqueles que trabalharam e descontaram uma vida inteira, daqueles que lutaram pelo nosso país e foram obrigados a ir para uma guerra, que não era deles e onde ainda hoje impera a vergonha nacional, na forma como são tratados os ex-combatentes. Não me importo e concordo, que a reforma mínima, seja   aumentada para um valor que garanta dignidade aos nossos idosos, o que está longe de acontecer nos dias de hoje;

- Abono de Família, com aumento para as famílias mais desfavorecidas ou com rendimentos inferiores a 1.000€ (aumentando de acordo com o número de filhos).

- Pagamento de subsídio de apoio social, desde que verificada a real necessidade da família ou indivíduo. Bem como, de todos os subsídios (de doença, desemprego, assistência à família, maternidade, etc.), desde que verificadas as situações, o que me parece já ser uma prática comum.

- Aumento do ordenado mínimo nacional para 500€ (o que continua a ser uma vergonha).

- Continuo a pagar impostos para garantir uma boa Educação, Saúde, Justiça (neste caso para todos e não só para alguns), Segurança, Cultura, ou seja, para todas as áreas onde o governo tem reduzido e quer reduzir ainda mais, ao abrigo da austeridade. 

Agora peço-vos que não insultem mais a inteligência dos portugueses, a única coisa estúpida que fazem, é  continuar a dar poder a pessoas pequeninas como os senhores, que pouco ou nada contribuem para lhes
melhorar a vida.

Não nos voltem a dizer, que estas medidas são necessárias e suficientes, porque sabemos que é mentira e, enquanto não apostarem no crescimento real da economia, na produção de recursos e na criação de emprego, todas as medidas que tomarem, terão um efeito nulo e só agravarão a situação do país e das  famílias. Não é necessário ser um grande génio financeiro, pois até o Sr. Zé da mercearia (com todo o
respeito que tenho pelo sr., e que apenas estudou até à 4ª classe), percebe isto.

Não nos comparem nunca mais, com outros países mais desenvolvidos, ou quando o fizerem, esclareçam também, quais os benefícios sociais que eles têm e os ordenados que eles recebem, digam também quanto pagam de impostos e por serviços e quanto pagamos nós. Somos dos mais pobres e dos que mais pagam por tudo. Por isso meus senhores não nos peçam mais nada, porque já passaram todos os limites.

Fico a aguardar uma resposta a todas estas minhas questões.
Não me despeço com consideração, porque infelizmente, ainda não a conseguiram ganhar.


Manuela Cortes

E-mail recebido

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quantos têm de ser condenados à miséria para produzir um rico?

Direito a Resistir Associa-se a manifestação da "Família Militar""



"Direito a Resistir" associa-se à manifestação de indignação da "Família Militar".
Sábado dia 12 de Novembro estaremos todos na rua, em conjunto com os militares portugueses, numa demonstração de que o Povo está ao lado dos militares da mesma forma como estes têm reiteradamente afirmado, que servem e servirão os cidadãos em todas as circunstâncias.

Assim, pedimos a todos os que têm motivos para se indignarem, que se juntem a este protesto. O propósito é uma demonstração de união e força no combate ao rumo catastrófico para o qual nos guiam os políticos.

SÁBADO DIA 12 DE NOVEMBRO TODOS NA RUA COM OS MILITARES!!!

Otelo Saraiva de Carvalho defende Revolução



Otelo Saraiva de Carvalho é contra manifestações de militares, mas defende que, se forem ultrapassados os limites, com perda de mais direitos, a resposta pode ser um golpe militar, mais fácil do que em 1974.

"Para mim, a manifestação dos militares deve ser, ultrapassados os limites, fazer uma operação militar e derrubar o Governo", defendeu Otelo, em entrevista à Agência Lusa, num comentário à “manifestação da família militar”, no sábado, em Lisboa.

“Não gosto de militares fardados a manifestarem-se na rua. Os militares têm um poder e uma força e não é em manifestações colectivas que devem pedir e exigir coisas”, disse.

Mas diz compreender as suas razões e considera que as mesmas podem conduzir a “um novo 25 de Abril”.

“Os militares têm a tendência para estabelecer um determinado limite à actuação da classe política”. Esse limite, considerou, foi ultrapassado em 1974 e culminou com a “revolução dos cravos".

Hoje, Portugal está “a atingir o limite”, disse, corroborando o que há seis meses dissera à Lusa: “Se soubesse o que sei hoje não teria possivelmente feito o 25 de Abril”.

O coronel na reserva acredita que há condições para os militares tomarem o poder e vai mais longe: “bastam 800 homens”.

Em comparação com o golpe de 1974 – do qual afirma ser um “orgulhoso protagonista” –, Otelo considera que um próximo seria até mais fácil, pois “há menos quartéis, logo menos hipóteses de existirem inimigos” da revolução.

Questionado sobre a real possibilidade dos militares tomarem o poder, como há 37 anos, Otelo responde peremptório: “Não tenho dúvida nenhuma que sim”.

“Os militares têm sempre essa capacidade, porque têm armas. É o último bastião do poder instituído”, afirmou.

“Estou convicto que, em qualquer altura, se os militares estiverem dispostos a isso, podem avançar sempre para uma tomada de poder”, adiantou.

O estratega do golpe do 25 de Abril faz uma análise crítica dos últimos 37 anos: “Se eu adivinhasse que o país ia gerar uma classe política igual à que está no poder, e que está a passar a certidão de óbito ao 25 de abril, eu não teria assumido a responsabilidade de dar essa alvorada de esperança ao povo”.

“Estabelecemos com o povo português um compromisso muito forte que era o de criar condições para um acesso a nível cultural, social e económico de um povo que tinha vivido 48 anos debaixo de ditadura”, acrescentou.

“Assumimos esse compromisso, não o cumprimos e não o estamos a cumprir porque entregámos o poder a uma classe política que, desde o 25 de Abril, tem vindo a piorar”, afirmou.

Otelo considera mesmo que, à medida que o tempo corre, tem-se registado “um retrocesso enorme”.

“Gozamos da liberdade de reunião, de manifestação e de expressão, mas começa a haver um caminho para trás”, frisou.

Para Otelo Saraiva de Carvalho, a revolução “está agonizante” e há quem disso beneficie.

“A classe política – sobretudo o que podemos abstractamente chamar de direita – está a retomar subtilmente tudo aquilo que eram as suas prerrogativas antes do 25 de Abril e a passar a certidão de óbito" à revolução.

“A minha mágoa é essa”, adiantou, sem esconder o pessimismo em relação ao futuro: “Perdemos o compasso da história”.

As associações sócio-profissionais de militares têm marcada para sábado uma concentração nacional em protesto contra as "medidas duríssimas" apresentadas pelo Governo na proposta do Orçamento para 2012, nomeadamente a redução de remunerações e pensões, cortes nos subsídios de férias e de Natal e o aumento generalizado dos impostos.

sábado, 5 de novembro de 2011

Político suicida-se em directo

video

Alertamos para as imagens fortes que o vídeo contém. Pessoas mais sensíveis não devem ver este vídeo

Estas imagens são de um político que foi acusado de corrupção e, face à vergonha e desonra pública e, movido pelo desespero, comete suicídio na conferência de imprensa onde seria suposto abordar o tema do qual vinha sendo acusado.

Se no nosso pequeno país os nossos políticos tivessem pelo menos a vergonha deste senhor, já seria um começo. O problema é que não se coíbem de corromperem e serem corrompidos, escondendo-se em artimanhas negociais e subterfúgios jurídico-legais, mais jamais sentem o peso da responsabilidade de lidar com dinheiros pagos com sacrifício pelos contribuintes.

Se pelo menos a classe política sentisse que as suas acções de má gestão da coisa pública, tinham consequências, para além das eleitorais, muito provavelmente teriam uma conduta diferente e todos os que são assumidamente desonestos não se sentiriam tão tentados pelo poder.

Tristemente a justiça é cega, mas também surda e muda e arrisco dizer que tetraplégica, quando o que está em causa é julgar aqueles que ao longo dos anos arruinaram as finanças do nosso país, nuns casos por mera incompetência e má gestão, noutros por deliberado favorecimento pessoal ou de agentes próximos do poder.
Ora sendo a justiça inoperante, restaria o poder popular exercido na urna, mas mesmo esse por ignorância, desinteresse e comodismo, quase nunca é exercido da forma mais correcta, muitas vezes premeia o chico-espertismo, e a desonestidade. Restaria assim, seguindo esta linha de raciocínio, alguma forma de levar o peso da justiça aos que vivem muito acima dela. Na minha modesta opinião, correndo o risco de ser considerado incendiário e leviano nas afirmações que faço, seria positivo em casos extremos, tomar medidas fortemente assertivas. Não me querendo alongar no tema, deixo ao critério de quem fizer o favor de ler este texto as medidas de que falo.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O refendo Grego e o desejo de revolução


A atitude grega tem deixado em estado de alerta as instâncias europeias e os mercados financeiros, pois o rotundo não que muitos esperam que saia da auscultação popular, pode adensar a crise na Zona Euro e ser o princípio do colapso da divisa comunitária. Se a derrocada acontecer de facto, as consequências podem ser catastróficas, implodindo todo o projecto europeu.
Este cenário, que há um ou dois anos parecia impensável, é agora uma realidade que se vai materializando.

Teme-se que com o eventual colapso do Euro, a pobreza se instale nos países da periferia, que com uma economia fragilizada pela delapidação do seu sector produtivo, agrícola e pesqueiro, a favor da importação dos excedentes de potências como a Alemanha e a França, não sejam capazes de fazer face à mais que certa inflação virtiginosa, causada pela desvalorização das divisas como o Escudo, o Dracma, a Peseta, entre outras e , com o poder de compra em níveis inimagináveis, a economia estagne. Ora, sem produção, comercio, e sem o dinheiro a sair do bolso das familias europeias, O ciclo será de pobreza e miséria e sem fim à vista.

O referendo deveria ter sido feito antes do pedido de ajuda externa e esta opinião é extensível a todos os países que se vejam forçados a abdicar da sua soberania em favor de injecção de capital. O problema neste caso é que na Grécia como em Portugal, o povo não foi ouvido, é apenas massacrado sem piedade sendo forçado a trabalhar em prol de um estado governado por cidadãos que se colocam acima da lei, onde graça a corrupção, o favorecimento de interesses pouco claros e a impunidade.

Depois de concluir que a receita europeia falhou; pois abatendo frotas de pesca, destruindo terrenos de produção agrícola e deslocalizando a produção industrial para a Ásia e o leste europeu, favorecendo o lucro ganancioso, e a engorda de alguns países à custa do pouco músculo de outros, o Sr. Sarkozy, vem defender que a Grécia deveria sair do Euro, onde nem devia ter entrado.
Mas mais uma vez, neste ponto em particular, o povo não foi auscultado, nem o Grego nem o Português. fomos levados ao colo para uma comunidade de países irmãos e solidários onde afinal só o lucro e as taxas de juro interessam.

Não deixa de ser curioso assistir à forma bilateral como a Europa é gerida, em que o líder de um país é convocado a reunir-se com os lideres da Alemanha e França, para que estes lhe transmitam as decisões que tomaram de forma unívoca mas em nome de toda a União Europeia. Mas mais admirável ainda é notar o pânico criado pelo facto do Sr. Papandreou ter optado por democraticamente ouvir o povo, sujeitando os interesses da banca europeia a essa coisa estranha que é a vontade popular.

Para concluir, falta apenas comentar o afastamento das altas chefias militares da Grécia, por temer que um golpe de estado tivesse lugar. Perdoem-me se opto por me referir a um movimento que pretende romper com os poder privados, da banca, e dos especuladores financeiros como revolução, em vez de golpe de estado como a imprensa optou por apelidar.
Mas não me canso de dizer que não são precisas altas patentes militares para que se faça uma revolução, aqui neste cantinho resolvemos 48 anos de ditadura com capitães e muitos outros mais abaixo na hierarquia.
Muito honestamente, ainda nutro alguma esperança que por entre a apatia possamos romper com esses poderes podres e nesse dia chamem-lhe o que quiserem, golpe de estado, revolução ou apenas a vontade do povo.

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